Os dias passam, as noites se prolongam, as pessoas mudam, o conhecimento se expande e enquanto os outros enxergam somente o natural nisso e no restante das coisas, eu vejo o que há por trás, o que talvez tentam esconder, o lado nem sempre rosa do mundo, tudo isso feito em xícaras acompanhado de uma pitada de metáforas e está pronto nosso chá de desatenção, de desafeto. Sirva-se.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Me perdi. Não foi em você, não foi em mim e quem me dera se fosse nesses falsos sentimentos e palavras que os poetas insistem e afirmar que nos deixam perdidos, loucamente perdidos. Eu me perdi na dor. Sinto, nesse exato momento, as lágrimas que eu não consigo fazer rolar me sufocando, apertando minha garganta de uma maneira tão grosseira que me falta o ar. Sinto meu coração pulsar devagar, e quase ouço os desejos dele, mas eu e meu corpo já não somos mais os mesmos há tempos. Não sinto minhas mãos, meus pés, não sei mais se ouço alguma coisa ou se essa melodia é da minha cabeça. Não sei mais o que vejo, não sei se essas palavras que se materializam sós em minha frente são reais. E nada disso importa. Não tenho mais minha visão, estou completamente cega diante da realidade idiota de pessoas mesquinhas que se dizem reais, eu só enxergo as coisas que eles tentam ocultar. Não consigo mais falar, acho que nunca falei. Só repeti o que marionetes do consumismo queriam ouvir, e me dei bem assim, ou não. Não me interessa mais o que está acontecendo fora de mim. Não me interessa porque não consigo mais me concentrar, é a dor. As palavras já me saem sem sentido algum, e mesmo que eu as consiga juntar em uma frase e essa frase faça sentido para você, acredite, para mim não há coerência entre elas. A dor. Não sei de onde ela veio, quando começou ou o seu motivo. Quando percebi, ela já estava tão à vontade, que eu não conseguia mais chorar.
Será que eu sou a dor? Será que essa é minha condição até o fim dos tempos? Será que meu papel aqui é só esse ou será que eu estou aqui para sentir a dor que ninguém sente?
Estou flutuando. Não tenho mais chão. Só a dor.
Mas se eu sou a dor, não poderia sentir outra coisa além de dor.
E eu sinto. Sinto algum tipo de sinônimo de dor, que somente para as pessoas impuras, conscientes, honestas e realistas é dor.
Para muitos é só um mar de rosas, e onde vai dar esse mar de rosas? Um dia elas secarão. Mas poucos enxergam a relação dele com a dor. Vê? As palavras não me fazem sentido. Fazem para você?
Eu só sei que me perdi, e ainda me lembro que não foi em você ou em mim. Me resta terminar de viver. Então acorde de manhã, leia as minhas palavras e me deixe viver você.
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