Os dias passam, as noites se prolongam, as pessoas mudam, o conhecimento se expande e enquanto os outros enxergam somente o natural nisso e no restante das coisas, eu vejo o que há por trás, o que talvez tentam esconder, o lado nem sempre rosa do mundo, tudo isso feito em xícaras acompanhado de uma pitada de metáforas e está pronto nosso chá de desatenção, de desafeto. Sirva-se.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
O que precisamos fazer para marcarmos uma geração inteira? Do que precisamos para fazer história, para sermos imortalizados por nossas escolhas e atitudes?
Só precisamos viver, sem nos importamos com o que vão pensar, sem nos importarmos com as regras, viver.
O grande problema nisso tudo, é que é muito fácil falar, fácil escrever, mas fazer é realmente complicado, vivemos para impressionar os outros, para aparecer para as pessoas que nós nem conhecemos, vivemos mais preocupados com o que vão pensar de nós, com a avaliação dos outros, do que com o que nós pensamos e preservamos, trocamos nossas ideias e nossos valores, preservados desde pequenos, por críticas e pensamentos fúteis de pessoas que nem se importam conosco. Mas fazemos isso frequentemente, e mesmo quando percebemos isso, não conseguimos parar. É uma cadeia, onde nos prendemos e prendemos outras pessoas, onde nossos pensamentos não tem valor algum, e aprendemos a viver para o julgamento do outro, não tem nada de construtivo nisso. Precisamos nos desprender dessa linha, dessas correntes que só nos afundam e nos fazem pensar que o que sai de nós não vale nada, precisamos arriscar nosso lugar nessa sociedade compulsiva e medonha, se quisermos uma vida de verdade, e é justamente isso, o que nós nunca fazemos.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
A arte de chorar
domingo, 9 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Às 18:00 em ponto
Às 18:00 em ponto nos reuníamos na porta, eu seus filhos, seus netos, suas memórias vivas e esperávamos por você.
Às 18:00 em ponto você virava a esquina e mesmo cansado, sorria, sorria como se nunca tivesse conhecido a tristeza na vida.
Às 18:00 em ponto meu lado poético se animava, se levantava e eu o deixava sair correndo ao seu encontro, você foi o único que consegui tal proeza em mim.
Às 18:00 em ponto tudo já estava feito, a casa arrumada, os filhos em casa e os netos de banho tomado.
Às 18:00 em ponto até os pássaros se calavam para ouvir você chegar, até o vento parava de soprar na expectativa de você aparecer e nos fazer morrer de rir, como fazia todos os dias.
Às 18:00 em ponto o mundo parava, o meu mundo parava, só para ter você ao meu lado outra vez.
Às 18:00 em ponto eu me tornava jovem outra vez, aquela jovem que você conheceu em meados de 1960.
Às 18:00 em ponto eu me esquecia da minha idade, só para ter em mim a sua idade.
Às 18:00 em ponto você me fez sentir amada outra vez, como sempre fazia quando estava perto de mim.
Às 18:00 em ponto você foi a minha alegria.
Sumiu, se foi, nos deixou, eu ainda sei que não foi porque você quis, mas a saudade aqui dentro me faz envelhecer 10 anos em 10 minutos, meus ossos estão corroendo enquanto minha alma grita por seu nome desesperadamente. Meus olhos buscam os seus, mas tudo o que vejo é o vazio, seus filhos e netos já não aparecem mais, como se só você importasse, como se eu me sentisse melhor sozinha. Você é o único com quem posso contar, já me preparei para te ver outra vez, onde quer que você esteja.
Tem uma carta em cima da mesa de jantar, não é para você, é para nossos filhos, não estou abandonando ninguém, só quero você, ainda que para isso eu precise abrir mão da minha solitária vida.
Estou pronta amor, e mais uma vez, espero você às 18:00 em ponto.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Me perco outra vez
Infelizmente, crescemos. Crescemos e deixamos as coisas mais importantes e bonitas para trás, e corremos atrás das coisas que julgamos boas para nós. Quebramos a cara várias vezes. Tento fugir das coisas que deixei para trás, tento fugir porque sei que não terei as mesmas coisas de novo, mas toda vez que tento fugir, elas se tornam mais presentes em mim. Não é fácil conviver só com as lembranças de algo que um dia foi real, algo que um dia foi parte de nós. Não é fácil perceber que nesse mundo é melhor ter a inocência de uma criança do que a maldade de um jovem, porque é na inocência de uma criança que as coisas boas se tornam reais e as ruins deixam de existir, é na inocência de uma criança que os vilões sempre perdem, e quando perdemos essa inocência percebemos que na triste maioria das vezes os vilões vencem. Por outro lado, é bom não poder voltar a inocência de antes, se pudéssemos voltar as coisas toda vez que tivéssemos medo, toda vez que tivéssemos decepções e tristezas nunca cresceríamos, e nunca teríamos experiência em nada. Seria terrível se pudéssemos voltar a ser criança, quem cuidaria de nós se todos fossem crianças?
Às vezes, a responsabilidade nos acerta em cheio, chega a doer. Vem do nada, chega de surpresa e não conseguimos aceitá-la facilmente, eu vejo a responsabilidade como oportunidade de crescimento, como outra fase da minha vida. A responsabilidade trás com ela o respeito de mim mesma e dos outros, mas mesmo assim, no meu íntimo, nos meus sonhos, ainda penso naquela criança inocente que eu nunca mais voltarei a ver. Fica então a saudade, e outra vez nos acabamos em lágrimas motivadas pelas lembranças.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Acabo chorando palavras
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