quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



O que precisamos fazer para marcarmos uma geração inteira? Do que precisamos para fazer história, para sermos imortalizados por nossas escolhas e atitudes?
Só precisamos viver, sem nos importamos com o que vão pensar, sem nos importarmos com as regras, viver.
O grande problema nisso tudo, é que é muito fácil falar, fácil escrever, mas fazer é realmente complicado, vivemos para impressionar os outros, para aparecer para as pessoas que nós nem conhecemos, vivemos mais preocupados com o que vão pensar de nós, com a avaliação dos outros, do que com o que nós pensamos e preservamos, trocamos nossas ideias e nossos valores, preservados desde pequenos, por críticas e pensamentos fúteis de pessoas que nem se importam conosco. Mas fazemos isso frequentemente, e mesmo quando percebemos isso, não conseguimos parar. É uma cadeia, onde nos prendemos e prendemos outras pessoas, onde nossos pensamentos não tem valor algum, e aprendemos a viver para o julgamento do outro, não tem nada de construtivo nisso. Precisamos nos desprender dessa linha, dessas correntes que só nos afundam e nos fazem pensar que o que sai de nós não vale nada, precisamos arriscar nosso lugar nessa sociedade compulsiva e medonha, se quisermos uma vida de verdade, e é justamente isso, o que nós nunca fazemos.




quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A arte de chorar




Por mais que venha seguido de dor, o choro alivia a alma, ele dói, mas depois que você o liberta a dor vai embora também. Queria eu ter esse dom, o dom de chorar quando fosse preciso, o dom de não esconder as coisas dos outros. Me sinto mesmo sufocada, me sinto presa, sinto que alguém está segurando minha garganta e a apertando forte, isso dói. O máximo que consigo são algumas lágrimas aqui e ali, nas distrações de quem está por perto, mas não adianta, parece que só aumenta essa dor. O pior, é saber que isso tudo vai passar quando eu conseguir chorar, mas não consigo, por mais que eu me esforce e tente não consigo. O choro me pega distraída às vezes, e quando percebo ele já está nos meus olhos, mas ele nunca quer sair, só quer me perturbar, me fazer temer e sentir dor. E consegue, porque uma dor imensa toma conta de mim agora, as minhas expressões já se foram por causa da dor, não consigo sorrir de verdade, não consigo prestar atenção em nada, só consigo sentir dor e só isso. E escrever nem alivia mais. Não é um alguém, não é alguma coisa, não sinto falta de nada, só de me expressar. Não tenho vontade de correr, gritar e ir pra um lugar onde ninguém me conhece. Só preciso desabafar.

domingo, 9 de janeiro de 2011

                                                   O que estava faltando. =)


Eu só quero viver, viver e não apenas sobreviver, esquecer as regras e viver do meu modo, correr atrás do nada, ter um tempo livre mesmo que seja quase impossível, ter aventuras, curtir o sol, os amigos, a vida como ela é de verdade. Quero agir sem medo de errar, me envolver sem medo das lágrimas que podem me causar. Quero entrar no clima e deixar a vida me levar, ajudar pessoas e sentir o gosto de ser útil ao menos uma vez na vida, quero saber como é fazer a diferença. Quero contrarias as coisas e as pessoas e depois rir, rir de tudo e de todos, andar na contra mão do sistema sem medo do que vão pensar de mim, só para ver como é, quero me expressar, e sorrir quando deveria chorar. Quero ver as cores e saber apreciar o preto e branco, quero me encontrar e depois me perder de novo. Quero acordar desse sonho e fazer com que as coisas sejam reais pelo menos dessa vez.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Às 18:00 em ponto



Às 18:00 em ponto eu tinha que ver você, era o horário de matarmos a saudade que nos matava, era o momento em que você chegava em casa e com voz cansada me dizia sobre seu dia.
Às 18:00 em ponto nos reuníamos na porta, eu seus filhos, seus netos, suas memórias vivas e esperávamos por você.
Às 18:00 em ponto você virava a esquina e mesmo cansado, sorria, sorria como se nunca tivesse conhecido a tristeza na vida.
Às 18:00 em ponto meu lado poético se animava, se levantava e eu o deixava sair correndo ao seu encontro, você foi o único que consegui tal proeza em mim.
Às 18:00 em ponto tudo já estava feito, a casa arrumada, os filhos em casa e os netos de banho tomado.
Às 18:00 em ponto até os pássaros se calavam para ouvir você chegar, até o vento parava de soprar na expectativa de você aparecer e nos fazer morrer de rir, como fazia todos os dias.
Às 18:00 em ponto o mundo parava, o meu mundo parava, só para ter você ao meu lado outra vez.
Às 18:00 em ponto eu me tornava jovem outra vez, aquela jovem que você conheceu em meados de 1960.
Às 18:00 em ponto eu me esquecia da minha idade, só para ter em mim a sua idade.
Às 18:00 em ponto você me fez sentir amada outra vez, como sempre fazia quando estava perto de mim.
Às 18:00 em ponto você foi a minha alegria.
Sumiu, se foi, nos deixou, eu ainda sei que não foi porque você quis, mas a saudade aqui dentro me faz envelhecer 10 anos em 10 minutos, meus ossos estão corroendo enquanto minha alma grita por seu nome desesperadamente. Meus olhos buscam os seus, mas tudo o que vejo é o vazio, seus filhos e netos já não aparecem mais, como se só você importasse, como se eu me sentisse melhor sozinha. Você é o único com quem posso contar, já me preparei para te ver outra vez, onde quer que você esteja. 
Tem uma carta em cima da mesa de jantar, não é para você, é para nossos filhos, não estou abandonando ninguém, só quero você, ainda que para isso eu precise abrir mão da minha solitária vida.
Estou pronta amor, e mais uma vez, espero você às 18:00 em ponto.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Me perco outra vez





Infelizmente, crescemos. Crescemos e deixamos as coisas mais importantes e bonitas para trás, e corremos atrás das coisas que julgamos boas para nós. Quebramos a cara várias vezes. Tento fugir das coisas que deixei para trás, tento fugir porque sei que não terei as mesmas coisas de novo, mas toda vez que tento fugir, elas se tornam mais presentes em mim. Não é fácil conviver só com as lembranças de algo que um dia foi real, algo que um dia foi parte de nós. Não é fácil perceber que nesse mundo é melhor ter a inocência de uma criança do que a maldade de um jovem, porque é na inocência de uma criança que as coisas boas se tornam reais e as ruins deixam de existir, é na inocência de uma criança que os vilões sempre perdem, e quando perdemos essa inocência percebemos que na triste maioria das vezes os vilões vencem. Por outro lado, é bom não poder voltar a inocência de antes, se pudéssemos voltar as coisas toda vez que tivéssemos medo, toda vez que tivéssemos decepções e tristezas nunca cresceríamos, e nunca teríamos experiência em nada. Seria terrível se pudéssemos voltar a ser criança, quem cuidaria de nós se todos fossem crianças?
Às vezes, a responsabilidade nos acerta em cheio, chega a doer. Vem do nada, chega de surpresa e não conseguimos aceitá-la facilmente, eu vejo a responsabilidade como oportunidade de crescimento, como outra fase da minha vida. A responsabilidade trás com ela o respeito de mim mesma e dos outros, mas mesmo assim, no meu íntimo, nos meus sonhos, ainda penso naquela criança inocente que eu nunca mais voltarei a ver. Fica então a saudade, e outra vez nos acabamos em lágrimas motivadas pelas lembranças.
   

domingo, 2 de janeiro de 2011

Acabo chorando palavras







Tenho sede, sede de vida, sede de emoção, sede de sentimentos. A cada dia que se passa, sinto que quanto mais eu vivo, me emociono ou me envolvo com as pessoas, maior é a sede, tenho a sensação de que nunca serei capaz de saciá-la. Quando maior essa sede, mais perdida no universo me encontro, mais sozinha fico, mais pensamentos explodem dentro de mim. Me achar e me perder, tudo ao mesmo tempo, uma confusão, uma bagunça um tiroteio de reflexões. E o que fazer? O que sentir? A resposta estará em alguém? Em um fato ou ocasião? Talvez. Escrevo coisas sem sentido aparente, escrevo coisas que se passam dentro de mim, e sempre virão fora da ordem comum, não me importo mais com o senso social, me importo comigo, mas não de maneira egoísta. Me importo comigo, porque ninguém além de mim se dá ao trabalho de se importar. As coisas podem vir fora de ordem, as pessoas podem não entender, mas eu escrevo para aliviar minha dor, escrevo para demonstrar minha solidão, minha tristeza ou alegria. Em momentos raros é para demonstrar minha alegria. As palavras constituem minhas lágrimas, as palavras quase saciam minha sede, mas percebo que eu não posso saciá-la sozinha, percebo que não sou nada sozinha. O universo me devora, o universo de pessoas me devora, explora meus sentimentos e explora minha ações, aproveitando cada ato, cada olhar e estender de mão. Me observam como se fosse uma experiência, mas a verdade, é que no meu mundo, eu sou diferente, e todos me tratam com indiferença no mundo fora do meu. E de alguma forma, esse dois mundos acabam se encontrando em verdadeira sintonia, por poucos segundos, mas em alguns raros momentos eles se combinam, mas isso só acontece duas vezes, na primeira vez que aconteceu, apertaram o play para mim, e a minha história começou a ser contada, na segunda vez, vão apertar o stop, e a minha história termina. Enquanto os dois mundos não se encontram, vou vivendo essa sede, tentando saciá-la e tentando me imortalizar, não a minha vida, mas a minha história, a história contada.