sexta-feira, 13 de maio de 2011



Me perdi. Não foi em você, não foi em mim e quem me dera se fosse nesses falsos sentimentos e palavras que os poetas insistem e afirmar que nos deixam perdidos, loucamente perdidos. Eu me perdi na dor. Sinto, nesse exato momento, as lágrimas que eu não consigo fazer rolar me sufocando, apertando minha garganta de uma maneira tão grosseira que me falta o ar. Sinto meu coração pulsar devagar, e quase ouço os desejos dele, mas eu e meu corpo já não somos mais os mesmos há tempos. Não sinto minhas mãos, meus pés, não sei mais se ouço alguma coisa ou se essa melodia é da minha cabeça. Não sei mais o que vejo, não sei se essas palavras que se materializam sós em minha frente são reais. E nada disso importa. Não tenho mais minha visão, estou completamente cega diante da realidade idiota de pessoas mesquinhas que se dizem reais, eu só enxergo as coisas que eles tentam ocultar. Não consigo mais falar, acho que nunca falei. Só repeti o que marionetes do consumismo queriam ouvir, e me dei bem assim, ou não. Não me interessa mais o que está acontecendo fora de mim. Não me interessa porque não consigo mais me concentrar, é a dor. As palavras já me saem sem sentido algum, e mesmo que eu as consiga juntar em uma frase e essa frase faça sentido para você, acredite, para mim não há coerência entre elas. A dor. Não sei de onde ela veio, quando começou ou o seu motivo. Quando percebi, ela já estava tão à vontade, que eu não conseguia mais chorar.
Será que eu sou a dor? Será que essa é minha condição até o fim dos tempos? Será que meu papel aqui é só esse ou será que eu estou aqui para sentir a dor que ninguém sente? 
Estou flutuando. Não tenho mais chão. Só a dor.
Mas se eu sou a dor, não poderia sentir outra coisa além de dor.
E eu sinto. Sinto algum tipo de sinônimo de dor, que somente para as pessoas impuras, conscientes, honestas e realistas é dor.
Para muitos é só um mar de rosas, e onde vai dar esse mar de rosas? Um dia elas secarão. Mas poucos enxergam a relação dele com a dor. Vê? As palavras não me fazem sentido. Fazem para você? 
Eu só sei que me perdi, e ainda me lembro que não foi em você ou em mim. Me resta terminar de viver. Então acorde de manhã, leia as minhas palavras e me deixe viver você.

sexta-feira, 22 de abril de 2011



Acorde, já é suicídio, amanheceu e eu não vejo você aqui.
Suicídio sim, porque acordar sem você é pior que a morte, e pode crer, eu já experimentei esse gosto. 
Mas mesmo assim, eu insisto em me levantar. 
Não sei porque, mas algo me diz que a esperança não é a última que morre, algo me diz que ela nunca morre, e é isso que faz com que eu me mate de manhã, com que eu acorde sem você amanhã.
Eu não sinto mais frio ou calor, não sei mais o que são sorrisos sinceros, só me lembro da dor, uma dor que me sufoca enquanto eu tento respirar.
Minhas lágrimas são a única prova de que ainda estou viva.
Não sei quem sou, não sei se sou algo ou alguém.
Acorde amor, e fuja, corra e se distancie de mim, se quiser sobreviver, suma. Meu vazio é grande, mas olhe, você vê o que eu vejo? Sim? Não? O vazio não é negro, o vazio é luz, uma luz que chega a cegar meus olhos, uma luz que apaga todas as lembranças que eu tinha antes de conhecer você.
Talvez faça sentido, quem eu era? Quem me tornei?
Me resumo a você, ao que você fez comigo, ao que eu queria falar para você mas não consigo.
Me chame de covarde, me chame de fraca, vamos, assim saberei que você notou algo.
Só não diga que você suportaria essa dor, esse sofrimento ironicamente iluminado, porque você não aguentaria. 
Como sei disso? Olhe para você mesmo. 
Somos humanos amor, é por isso que suportamos a dor que você nos causa, e é por isso que você tem que correr, pois toda vez que você se machuca, ao invés de se tratar, você procura se distrair com outras pessoas.
Amor, não quero ser eu sua assassina. Mesmo assim, como você é, ainda consegue ser melhor que a dor que você me causou, melhor que a solidão que me ronda e melhor que o orgulho que me impede de fazer o certo, você mostrou que seremos melhores se aceitarmos os outros como são, com perfeições e defeitos.
Queria que isso fosse só inspiração, só um filme ou conto talvez.
Mas estou encarando a dura realidade.
Vamos amor, se levante, saia logo e não olhe para mim.
Não, espere, antes de sair por esta porta, me prometa que voltará um dia, na hora certa, mas prometa que voltará,e mais uma coisa,
leve para ele todas as coisas boas que eu tenho preparado durante todo esse tempo, leve meu coração porque este já é forte o bastante para suportar qualquer perda, leve meus olhos, porque estes já viram luz demais, leve minhas mãos que tanto secaram minhas lágrimas e o peça para esperar.
Viverei melhor se souber que as coisas que não param minha dor estão impedindo o sofrimento da única pessoa com quem me importei de verdade em toda a minha vida.
Ah, e amor, se doe e faça com que as pessoas se doem também, e espalhe sua dor, divida em pequenas partes, para muitos amados, só assim essa dor se tornará insignificante o bastante para não ser sentida.
E por último.
Eu sempre amarei você.



sábado, 19 de março de 2011



É noite e chove. Por mais que o ar aqui em casa seja aconchegante e a lareira arda alegremente, o que sentimento que toma conta de mim é a frieza, solidão e essa mistura de inutilidade com saudade. Tento pensar nas coisas boas que me ocorreram durante a vida, mas todas essas poucas coisas dão em choro e lágrimas de sangue. Toda vez que começo a pensar nos raros momentos que arrancaram de mim escassos sorrisos minha memória desperta a lembrança da dor maior do que a vida que ainda sinto, porque todas as coisas consideradas alegres que eu vivi, terminaram numa coisa trágica. Minha noite me levou a você, na verdade, desde a sua partida minha vida é noite e eu ainda não consegui deixar você partir completamente, me perdoe, mas não consigo viver sem você. Queria te contar as novidades, mas não as tenho, nem tenho você para ouvir meu silêncio. Meu eu grita por socorro e meu mundo se recusa a ouvir qualquer coisa de venha de mim. A música, antes tão admirada por nós, por mim, agora se converteu em choro e ranger de dentes e a luz, não há mais luz. Minha esperança é fechar meus olhos e não abri-los mais, sei que você está por perto, tão perto que não consigo ver, então, quando finalmente minhas pálpebras se cansarem, segure minha mão e sussurre no meu ouvido que dessa vez, está tudo bem.



quinta-feira, 10 de março de 2011

Lista de Desejos Femininos

Fugindo um pouco do ar melancólico do blog, decidi postar um texto um pouco mais sorridente ou não  . Bom..leiam e é..só leiam


Eu quero um homem que...
1. Seja lindo,
2. Encantador,
3. Financeiramente estável,
4. Um bom ouvinte,
5. Divertido,
6. Em boa forma física,
7. Se vista bem,
8. Aprecie as coisas mais finas,
9. Faça muitas surpresas agradáveis,
10. Seja um amante criativo e romântico
.

Lista Revisada aos 30 AnosEu quero um homem que....
1. Seja bonitinho,
2. Abra a porta do carro
3 Tenha dinheiro suficiente para jantar fora com certa frequência
4.. Ouça mais do que fale,
5. Ria das minhas piadas,
6. Carregue as sacolas do mercado com facilidade,
7. Tenha no mínimo uma gravata,
8. Lembre de aniversários e datas especiais,
9. Procure romance pelo menos uma vez por semana.

Lista Revisada aos 40 AnosEu quero um homem que...
1. Não seja muito feio,
2. Espere eu me sentar no carro antes de começar a acelerar,
3. Tenha um emprego fixo
4. Balance a cabeça enquanto eu falo,
5. Esteja em forma ao menos para mudar a mobília de lugar,
6. Use camisetas que cubram sua barriga,
7. Não compre cidra achando que é champagne,
8. Se lembre de abaixar a tampa da privada (já tá bom, né? Esquece o
Romance...)

Lista Revisada aos 50 AnosEu quero um homem que...
1. Corte os pelos do nariz e das orelhas,
2. Não coce o saco nem cuspa em público,
3. Não sustente as irmãs, nem as filhas do primeiro casamento
4. Não balance a cabeça até dormir enquanto eu estou reclamando,
5. Não conte a mesma piada o tempo todo.

Lista Revisada aos 60 AnosEu quero um homem que...
1. Não assuste as crianças pequenas,
2.. Ronque bem baixinho quando dorme,
3. Esteja em forma suficiente para ficar de pé sozinho,
4. Use cueca e meias limpas

Lista Revisada aos 70 AnosEu quero um homem que...
1.. Respire,
2. Lembre onde deixou a dentadura


Lista Revisada aos 80 Anos
Eu quero um homem que...
1. O que é um homem, mesmo ???






quarta-feira, 2 de março de 2011

PESADELO



4:15 da manhã, me encontro dentro de um pesadelo, depois do dia mais divertido da minha vida ao lado da pessoa mais incrível e divertida do mundo, eu só esperava fechar meus olhos e descansar, nem esperava sonhar. Porém as coisas não são controladas por mim, mas vamos voltar às 4:14 da manhã. Estou dentro de um terrível pesadelo, talvez o mais terrível de todos, dia 29 de dezembro de 2009, desesperadamente me levantei, e a sirene da ambulância ainda estava nos meus ouvidos, eu já não conseguia separar o som imaginário da sirene do toque real do telefone. Minha mãe atendeu, eu ainda estava em choque, parada na sala, com a cena do meu Super-Herói sem vida na cabeça. Minha mãe perdeu a fala e passou o telefone para o meu pai, pela segunda vez na minha vida, vi os olhos dele se derramarem em lágrimas. A casa caiu aos meus pés quando ouvi o choro dele detalhadamente, meus pais gritavam e eu corria, corri até meu Super-Herói, eu só queria dizer que era engano, que ele ainda estava sorrindo e que eu estava chorando à toa. Queria abraçá-lo com todas as minhas forças, ou apenas dizer adeus, mas eu não controlo as coisas.
São 8:45 da manhã, 28 de fevereiro de 2011, e eu ainda não consigo acordar desse pesadelo, onde eu já não sei o que é uma família completa, onde os sorrisos são só máscara, onde meu Super-Herói não aparece mais.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011



Sei que eu deveria chorar, mas como fazer isso se as pessoas ao meu redor esperam sorrisos de mim. Essa vontade me mata aos poucos, é como nicotina para os meus pulmões, é como uma bala na cabeça, é como apanhar sem saber o motivo dos tapas. Me esforço, juro que me esforço, mas nada sai. Não preciso de alguém que me dê motivos para chorar, motivos eu vejo por toda parte, eu preciso de alguém em carne, que enxugue as lágrimas que não saem, alguém que me ouça e veja como realmente estou independente dos sorrisos que solto, alguém que perceba minha dor independente do meu semblante de sossego, alguém que saiba ou no mínimo queira saber como estou me sentindo de verdade. Quero correr, gritar, sumir, chorar, tudo ao mesmo tempo, ainda que não haja motivo. Quero viver as emoções que todos vivem e reagir a elas como as pessoas que tem lágrimas fazem, quero chorar lágrimas junto com as palavras, porque só chorar as palavras não tem feito sentido. Quero me soltar e voar, ir no embalo do vento sem saber ou esperar o que vai acontecer. Quero aprender a temática e a teoria das emoções, quero viver. 
E no final de tudo, poderei sorrir de verdade, e então saberão que as coisas nem sempre são o que parecem ser.



Carros escandalosos, pessoas cegas, autoridades falsas, crianças sábias, adultos ignorantes, sangue, dor e vinho. Minha rotina consome minhas córneas e meu tímpanos, devora meus sentimentos, devora minha alma e bebe minhas lágrimas. Noto que essa rotina tem sede, sede de mim, sede da minha expressão, sede das lágrimas que já não rolam há tempos. Minhas forças se esgotaram quando olhei dentro dos olhos de uma criança que queria o meu mais profundo sentimento, que esperava de mim a mesma coisa que eu espero das pessoas que me cercam, que estão perto de mim todos os dias. Fiquei surda com as vozes das máquinas que carregam as pessoas robotizadas para cima e para baixo, agora só ouço o relógio e aquele som irritante de buzinas. As pessoas que se movimentam sem rumo e sem direção passaram por cima do que eu sentia, e agora já não sinto mais. A cegueira invadiu o planeta, como uma epidemia, uma cegueira fatal, que impede as pessoas de olharam para dentro delas mesmas. As autoridades estão matando, matando as esperanças de pessoas que esperam o nascimento da justiça, matam a vontade de ter fome dos que fazem das ruas seus lares, matam o trabalhador e seu cansaço, sua marca registrada. As crianças já não demonstram sua sabedoria, mas isso acontece porque nós não deixamos. Elas guardam isso em pensamentos e brincadeiras silenciosas e infelizmente crescem e se esquecem do lugar onde guardaram a sabedoria por brincadeira. Crescem e viram máquinas, pessoas cegas e autoridades. Me sinto deslocada, mas tenho a constante companhia da solidão, e isso sangra, me faz ter vontade de chorar. A dor me invade, como uma onda, e arrasa tudo por dentro, arrasa e desorganiza meus pensamentos, arrasa procurando as lágrimas, procura e não acha. Eu também estou a procura delas, mas já devem estar secas. E o vinho, o vinho me mostra que ainda estou viva, tem horas que eu não sei se já dormi então o vinho me tira a dúvida, ele não cessa minha dor, não me faz ouvir as coisas nem me deixa embriagada. Mas sua cor e seu cheiro me provam que a escuridão ainda não chegou por completo e me conforta com a esperança que já está quase chegando a hora de dormir.
  

Melancolia Apc 16



A vida e simples mas é dura 
Simples mas dura 
Só mesmo um sofredor para compreeder outro sofredor 
Firmeza na rocha e fé no redendor 

Depois do novo dia, tudo vai ser diferente 
Só que o novo dia ainda não raiou 
Enquanto espero a alva, fico na companhia do passado 
Mas sem a companhia dos meus antepassados 
Melancolia não é obra do acaso 
O bam, bam, bam dá risada, enquanto o pobre amarga seu 
fracasso 
tudo misturado às lembranças do passado 
desenhos que antes faziam sorrir, hoje fazem refletir no provir 
Óh, que doce esperança no porvir 
Eu gozarei do seu rico favor, meu Senhor 
Mas por enquanto um cheiro, um gosto 
Aciona o gatilho do gosto ou do desgosto 
Meu Deus, quantos rostos que eu não vou voltar a ver 
Minha avó, que saudade de você 
Meu avô, um dia a gente se vê 
Então vou poder ouvir as histórias de um homem que foi grande 
Pena não ter nascido antes 

Refrão: 

Eu olho pra frente e sinto saudades 
Do tempo bom da minha mocidade 
No peito arde uma dor que me invade 
Contagia tudo e sobe até a mente 
Se não me cuido até fico doente 
Neurose deprimente 
Ontem, hoje e antigamente 
Conforta saber que não vai ser para sempre 
Depois do novo dia, vai ser diferente 

Quem nasce antes morre mais cedo 
Eu olho a morte com carinho e não com medo 
Afinal, ela é a ponte que me ligará a eternidade 
E é ai que tudo começa de verdade 
Enquanto isso, a depressão invade 
Eu to sozinho aqui, com tanta gente na cidade 
Bom Deus, tende piedade, pega meu cálice e o afaste 
Quem falou que nunca é tarde é porque não sabe a falta que faz 
Aos doze, o carinho o afeto dos pais 
Ninguém mais toma esse lugar 
Paternidade adotiva é boa e até chega a consolar 
Mas mãe é mãe, pai é pai, gene não dá para trocar 
Família é presente ou maldição que vai perpetuar 
Na Febem, tem moleque maníaco por um lar 
Ok, até que eu to bem, não precisei passar por lá 
Morreria mais depressa se ficasse trancado 
Mesmo assim tive um duro aprendizado 
Onde estão, cadê meus manos que andavam do meu lado 

Refrão... 

Cadê meus manos que andavam do meu lado 
Edgar, Tinho, Ricardo, primos e amigos que foram sem deixar recado 
Como não sentir saudade 
Dos tempos da menor idade, onde tudo era vaidade 
Tudo o que eu queria era que o sol brilhasse até mais tarde 
Papai do céu, que os trocados na carteira de meu pai nunca acabem 
Meu fliperama e meu sorvete 
Meu falcon e meu pegasus vão durar para sempre 
Mas o sempre ta sempre lá na frente 
E a gente sempre cansa na metade 
Quando eu partir irei com a impressão de que já fui tarde 
Vou dar falta do Aquaplay e também do meu Atari 
Do Genius que eu nunca ganhei mas sempre desejei 
Mas para onde eu vou, serei filho do Rei 
O príncipe latino voltará a ser menino 
Se senti, ou se deixei saudades, tanto faz, é tudo passageiro 
Mesmo assim, me leve flores no dia do meu enterro 

Refrão... 

Ontem, hoje, antigamente conforta saber não vai ser para sempre depois de um novo dia, vai ser diferente. 
Oh meus manos, Oh meus manos...Creiam em Jesus, acreditem no Cristo. 
O messias já passou por aqui e sabe como é se sentir sozinho, solitário. 
Somente um sofredor pra entender a dor do outro sofredor. 
A vida é simples porém dura. Dê-me flores enquanto posso aprecia-lás, porque depois elas só servirão para cobrir minha sepultura. 
Irmãos, irmãs a vida é dura. Mas em breve toda lagrima será enxugada e toda tristeza será arrancada, por que se Ele prometeu, Ele há de cumprir. Se Ele começou Ele há de terminar toda boa obra. Fiquem firmes apesar de toda dificuldade, fiquem firmes! 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

 Me encontro no silêncio, seja o da madrugada, ou o da tarde no campo, me perco em pensamentos e me reencontro nas melodias mais equivocadas possíveis. Meu mundo, meus pensamentos, minhas memórias. Entre, sente-se e sinta a vibe de paz no ar, feche os olhos para enxergar as cores como elas realmente são, abra a cabeça, estique os braços e ainda de olhos fechados respire. Sinta, a música já não é mais a mesma, as notas agora tem formas, elas vem em formas de lembranças, e é só aqui, no interior do meu mundo..Agora vá, seu tempo acabou e outros querem entrar ...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



O que precisamos fazer para marcarmos uma geração inteira? Do que precisamos para fazer história, para sermos imortalizados por nossas escolhas e atitudes?
Só precisamos viver, sem nos importamos com o que vão pensar, sem nos importarmos com as regras, viver.
O grande problema nisso tudo, é que é muito fácil falar, fácil escrever, mas fazer é realmente complicado, vivemos para impressionar os outros, para aparecer para as pessoas que nós nem conhecemos, vivemos mais preocupados com o que vão pensar de nós, com a avaliação dos outros, do que com o que nós pensamos e preservamos, trocamos nossas ideias e nossos valores, preservados desde pequenos, por críticas e pensamentos fúteis de pessoas que nem se importam conosco. Mas fazemos isso frequentemente, e mesmo quando percebemos isso, não conseguimos parar. É uma cadeia, onde nos prendemos e prendemos outras pessoas, onde nossos pensamentos não tem valor algum, e aprendemos a viver para o julgamento do outro, não tem nada de construtivo nisso. Precisamos nos desprender dessa linha, dessas correntes que só nos afundam e nos fazem pensar que o que sai de nós não vale nada, precisamos arriscar nosso lugar nessa sociedade compulsiva e medonha, se quisermos uma vida de verdade, e é justamente isso, o que nós nunca fazemos.




quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A arte de chorar




Por mais que venha seguido de dor, o choro alivia a alma, ele dói, mas depois que você o liberta a dor vai embora também. Queria eu ter esse dom, o dom de chorar quando fosse preciso, o dom de não esconder as coisas dos outros. Me sinto mesmo sufocada, me sinto presa, sinto que alguém está segurando minha garganta e a apertando forte, isso dói. O máximo que consigo são algumas lágrimas aqui e ali, nas distrações de quem está por perto, mas não adianta, parece que só aumenta essa dor. O pior, é saber que isso tudo vai passar quando eu conseguir chorar, mas não consigo, por mais que eu me esforce e tente não consigo. O choro me pega distraída às vezes, e quando percebo ele já está nos meus olhos, mas ele nunca quer sair, só quer me perturbar, me fazer temer e sentir dor. E consegue, porque uma dor imensa toma conta de mim agora, as minhas expressões já se foram por causa da dor, não consigo sorrir de verdade, não consigo prestar atenção em nada, só consigo sentir dor e só isso. E escrever nem alivia mais. Não é um alguém, não é alguma coisa, não sinto falta de nada, só de me expressar. Não tenho vontade de correr, gritar e ir pra um lugar onde ninguém me conhece. Só preciso desabafar.

domingo, 9 de janeiro de 2011

                                                   O que estava faltando. =)


Eu só quero viver, viver e não apenas sobreviver, esquecer as regras e viver do meu modo, correr atrás do nada, ter um tempo livre mesmo que seja quase impossível, ter aventuras, curtir o sol, os amigos, a vida como ela é de verdade. Quero agir sem medo de errar, me envolver sem medo das lágrimas que podem me causar. Quero entrar no clima e deixar a vida me levar, ajudar pessoas e sentir o gosto de ser útil ao menos uma vez na vida, quero saber como é fazer a diferença. Quero contrarias as coisas e as pessoas e depois rir, rir de tudo e de todos, andar na contra mão do sistema sem medo do que vão pensar de mim, só para ver como é, quero me expressar, e sorrir quando deveria chorar. Quero ver as cores e saber apreciar o preto e branco, quero me encontrar e depois me perder de novo. Quero acordar desse sonho e fazer com que as coisas sejam reais pelo menos dessa vez.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Às 18:00 em ponto



Às 18:00 em ponto eu tinha que ver você, era o horário de matarmos a saudade que nos matava, era o momento em que você chegava em casa e com voz cansada me dizia sobre seu dia.
Às 18:00 em ponto nos reuníamos na porta, eu seus filhos, seus netos, suas memórias vivas e esperávamos por você.
Às 18:00 em ponto você virava a esquina e mesmo cansado, sorria, sorria como se nunca tivesse conhecido a tristeza na vida.
Às 18:00 em ponto meu lado poético se animava, se levantava e eu o deixava sair correndo ao seu encontro, você foi o único que consegui tal proeza em mim.
Às 18:00 em ponto tudo já estava feito, a casa arrumada, os filhos em casa e os netos de banho tomado.
Às 18:00 em ponto até os pássaros se calavam para ouvir você chegar, até o vento parava de soprar na expectativa de você aparecer e nos fazer morrer de rir, como fazia todos os dias.
Às 18:00 em ponto o mundo parava, o meu mundo parava, só para ter você ao meu lado outra vez.
Às 18:00 em ponto eu me tornava jovem outra vez, aquela jovem que você conheceu em meados de 1960.
Às 18:00 em ponto eu me esquecia da minha idade, só para ter em mim a sua idade.
Às 18:00 em ponto você me fez sentir amada outra vez, como sempre fazia quando estava perto de mim.
Às 18:00 em ponto você foi a minha alegria.
Sumiu, se foi, nos deixou, eu ainda sei que não foi porque você quis, mas a saudade aqui dentro me faz envelhecer 10 anos em 10 minutos, meus ossos estão corroendo enquanto minha alma grita por seu nome desesperadamente. Meus olhos buscam os seus, mas tudo o que vejo é o vazio, seus filhos e netos já não aparecem mais, como se só você importasse, como se eu me sentisse melhor sozinha. Você é o único com quem posso contar, já me preparei para te ver outra vez, onde quer que você esteja. 
Tem uma carta em cima da mesa de jantar, não é para você, é para nossos filhos, não estou abandonando ninguém, só quero você, ainda que para isso eu precise abrir mão da minha solitária vida.
Estou pronta amor, e mais uma vez, espero você às 18:00 em ponto.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Me perco outra vez





Infelizmente, crescemos. Crescemos e deixamos as coisas mais importantes e bonitas para trás, e corremos atrás das coisas que julgamos boas para nós. Quebramos a cara várias vezes. Tento fugir das coisas que deixei para trás, tento fugir porque sei que não terei as mesmas coisas de novo, mas toda vez que tento fugir, elas se tornam mais presentes em mim. Não é fácil conviver só com as lembranças de algo que um dia foi real, algo que um dia foi parte de nós. Não é fácil perceber que nesse mundo é melhor ter a inocência de uma criança do que a maldade de um jovem, porque é na inocência de uma criança que as coisas boas se tornam reais e as ruins deixam de existir, é na inocência de uma criança que os vilões sempre perdem, e quando perdemos essa inocência percebemos que na triste maioria das vezes os vilões vencem. Por outro lado, é bom não poder voltar a inocência de antes, se pudéssemos voltar as coisas toda vez que tivéssemos medo, toda vez que tivéssemos decepções e tristezas nunca cresceríamos, e nunca teríamos experiência em nada. Seria terrível se pudéssemos voltar a ser criança, quem cuidaria de nós se todos fossem crianças?
Às vezes, a responsabilidade nos acerta em cheio, chega a doer. Vem do nada, chega de surpresa e não conseguimos aceitá-la facilmente, eu vejo a responsabilidade como oportunidade de crescimento, como outra fase da minha vida. A responsabilidade trás com ela o respeito de mim mesma e dos outros, mas mesmo assim, no meu íntimo, nos meus sonhos, ainda penso naquela criança inocente que eu nunca mais voltarei a ver. Fica então a saudade, e outra vez nos acabamos em lágrimas motivadas pelas lembranças.
   

domingo, 2 de janeiro de 2011

Acabo chorando palavras







Tenho sede, sede de vida, sede de emoção, sede de sentimentos. A cada dia que se passa, sinto que quanto mais eu vivo, me emociono ou me envolvo com as pessoas, maior é a sede, tenho a sensação de que nunca serei capaz de saciá-la. Quando maior essa sede, mais perdida no universo me encontro, mais sozinha fico, mais pensamentos explodem dentro de mim. Me achar e me perder, tudo ao mesmo tempo, uma confusão, uma bagunça um tiroteio de reflexões. E o que fazer? O que sentir? A resposta estará em alguém? Em um fato ou ocasião? Talvez. Escrevo coisas sem sentido aparente, escrevo coisas que se passam dentro de mim, e sempre virão fora da ordem comum, não me importo mais com o senso social, me importo comigo, mas não de maneira egoísta. Me importo comigo, porque ninguém além de mim se dá ao trabalho de se importar. As coisas podem vir fora de ordem, as pessoas podem não entender, mas eu escrevo para aliviar minha dor, escrevo para demonstrar minha solidão, minha tristeza ou alegria. Em momentos raros é para demonstrar minha alegria. As palavras constituem minhas lágrimas, as palavras quase saciam minha sede, mas percebo que eu não posso saciá-la sozinha, percebo que não sou nada sozinha. O universo me devora, o universo de pessoas me devora, explora meus sentimentos e explora minha ações, aproveitando cada ato, cada olhar e estender de mão. Me observam como se fosse uma experiência, mas a verdade, é que no meu mundo, eu sou diferente, e todos me tratam com indiferença no mundo fora do meu. E de alguma forma, esse dois mundos acabam se encontrando em verdadeira sintonia, por poucos segundos, mas em alguns raros momentos eles se combinam, mas isso só acontece duas vezes, na primeira vez que aconteceu, apertaram o play para mim, e a minha história começou a ser contada, na segunda vez, vão apertar o stop, e a minha história termina. Enquanto os dois mundos não se encontram, vou vivendo essa sede, tentando saciá-la e tentando me imortalizar, não a minha vida, mas a minha história, a história contada.