sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011



Sei que eu deveria chorar, mas como fazer isso se as pessoas ao meu redor esperam sorrisos de mim. Essa vontade me mata aos poucos, é como nicotina para os meus pulmões, é como uma bala na cabeça, é como apanhar sem saber o motivo dos tapas. Me esforço, juro que me esforço, mas nada sai. Não preciso de alguém que me dê motivos para chorar, motivos eu vejo por toda parte, eu preciso de alguém em carne, que enxugue as lágrimas que não saem, alguém que me ouça e veja como realmente estou independente dos sorrisos que solto, alguém que perceba minha dor independente do meu semblante de sossego, alguém que saiba ou no mínimo queira saber como estou me sentindo de verdade. Quero correr, gritar, sumir, chorar, tudo ao mesmo tempo, ainda que não haja motivo. Quero viver as emoções que todos vivem e reagir a elas como as pessoas que tem lágrimas fazem, quero chorar lágrimas junto com as palavras, porque só chorar as palavras não tem feito sentido. Quero me soltar e voar, ir no embalo do vento sem saber ou esperar o que vai acontecer. Quero aprender a temática e a teoria das emoções, quero viver. 
E no final de tudo, poderei sorrir de verdade, e então saberão que as coisas nem sempre são o que parecem ser.



Carros escandalosos, pessoas cegas, autoridades falsas, crianças sábias, adultos ignorantes, sangue, dor e vinho. Minha rotina consome minhas córneas e meu tímpanos, devora meus sentimentos, devora minha alma e bebe minhas lágrimas. Noto que essa rotina tem sede, sede de mim, sede da minha expressão, sede das lágrimas que já não rolam há tempos. Minhas forças se esgotaram quando olhei dentro dos olhos de uma criança que queria o meu mais profundo sentimento, que esperava de mim a mesma coisa que eu espero das pessoas que me cercam, que estão perto de mim todos os dias. Fiquei surda com as vozes das máquinas que carregam as pessoas robotizadas para cima e para baixo, agora só ouço o relógio e aquele som irritante de buzinas. As pessoas que se movimentam sem rumo e sem direção passaram por cima do que eu sentia, e agora já não sinto mais. A cegueira invadiu o planeta, como uma epidemia, uma cegueira fatal, que impede as pessoas de olharam para dentro delas mesmas. As autoridades estão matando, matando as esperanças de pessoas que esperam o nascimento da justiça, matam a vontade de ter fome dos que fazem das ruas seus lares, matam o trabalhador e seu cansaço, sua marca registrada. As crianças já não demonstram sua sabedoria, mas isso acontece porque nós não deixamos. Elas guardam isso em pensamentos e brincadeiras silenciosas e infelizmente crescem e se esquecem do lugar onde guardaram a sabedoria por brincadeira. Crescem e viram máquinas, pessoas cegas e autoridades. Me sinto deslocada, mas tenho a constante companhia da solidão, e isso sangra, me faz ter vontade de chorar. A dor me invade, como uma onda, e arrasa tudo por dentro, arrasa e desorganiza meus pensamentos, arrasa procurando as lágrimas, procura e não acha. Eu também estou a procura delas, mas já devem estar secas. E o vinho, o vinho me mostra que ainda estou viva, tem horas que eu não sei se já dormi então o vinho me tira a dúvida, ele não cessa minha dor, não me faz ouvir as coisas nem me deixa embriagada. Mas sua cor e seu cheiro me provam que a escuridão ainda não chegou por completo e me conforta com a esperança que já está quase chegando a hora de dormir.
  

Melancolia Apc 16



A vida e simples mas é dura 
Simples mas dura 
Só mesmo um sofredor para compreeder outro sofredor 
Firmeza na rocha e fé no redendor 

Depois do novo dia, tudo vai ser diferente 
Só que o novo dia ainda não raiou 
Enquanto espero a alva, fico na companhia do passado 
Mas sem a companhia dos meus antepassados 
Melancolia não é obra do acaso 
O bam, bam, bam dá risada, enquanto o pobre amarga seu 
fracasso 
tudo misturado às lembranças do passado 
desenhos que antes faziam sorrir, hoje fazem refletir no provir 
Óh, que doce esperança no porvir 
Eu gozarei do seu rico favor, meu Senhor 
Mas por enquanto um cheiro, um gosto 
Aciona o gatilho do gosto ou do desgosto 
Meu Deus, quantos rostos que eu não vou voltar a ver 
Minha avó, que saudade de você 
Meu avô, um dia a gente se vê 
Então vou poder ouvir as histórias de um homem que foi grande 
Pena não ter nascido antes 

Refrão: 

Eu olho pra frente e sinto saudades 
Do tempo bom da minha mocidade 
No peito arde uma dor que me invade 
Contagia tudo e sobe até a mente 
Se não me cuido até fico doente 
Neurose deprimente 
Ontem, hoje e antigamente 
Conforta saber que não vai ser para sempre 
Depois do novo dia, vai ser diferente 

Quem nasce antes morre mais cedo 
Eu olho a morte com carinho e não com medo 
Afinal, ela é a ponte que me ligará a eternidade 
E é ai que tudo começa de verdade 
Enquanto isso, a depressão invade 
Eu to sozinho aqui, com tanta gente na cidade 
Bom Deus, tende piedade, pega meu cálice e o afaste 
Quem falou que nunca é tarde é porque não sabe a falta que faz 
Aos doze, o carinho o afeto dos pais 
Ninguém mais toma esse lugar 
Paternidade adotiva é boa e até chega a consolar 
Mas mãe é mãe, pai é pai, gene não dá para trocar 
Família é presente ou maldição que vai perpetuar 
Na Febem, tem moleque maníaco por um lar 
Ok, até que eu to bem, não precisei passar por lá 
Morreria mais depressa se ficasse trancado 
Mesmo assim tive um duro aprendizado 
Onde estão, cadê meus manos que andavam do meu lado 

Refrão... 

Cadê meus manos que andavam do meu lado 
Edgar, Tinho, Ricardo, primos e amigos que foram sem deixar recado 
Como não sentir saudade 
Dos tempos da menor idade, onde tudo era vaidade 
Tudo o que eu queria era que o sol brilhasse até mais tarde 
Papai do céu, que os trocados na carteira de meu pai nunca acabem 
Meu fliperama e meu sorvete 
Meu falcon e meu pegasus vão durar para sempre 
Mas o sempre ta sempre lá na frente 
E a gente sempre cansa na metade 
Quando eu partir irei com a impressão de que já fui tarde 
Vou dar falta do Aquaplay e também do meu Atari 
Do Genius que eu nunca ganhei mas sempre desejei 
Mas para onde eu vou, serei filho do Rei 
O príncipe latino voltará a ser menino 
Se senti, ou se deixei saudades, tanto faz, é tudo passageiro 
Mesmo assim, me leve flores no dia do meu enterro 

Refrão... 

Ontem, hoje, antigamente conforta saber não vai ser para sempre depois de um novo dia, vai ser diferente. 
Oh meus manos, Oh meus manos...Creiam em Jesus, acreditem no Cristo. 
O messias já passou por aqui e sabe como é se sentir sozinho, solitário. 
Somente um sofredor pra entender a dor do outro sofredor. 
A vida é simples porém dura. Dê-me flores enquanto posso aprecia-lás, porque depois elas só servirão para cobrir minha sepultura. 
Irmãos, irmãs a vida é dura. Mas em breve toda lagrima será enxugada e toda tristeza será arrancada, por que se Ele prometeu, Ele há de cumprir. Se Ele começou Ele há de terminar toda boa obra. Fiquem firmes apesar de toda dificuldade, fiquem firmes! 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

 Me encontro no silêncio, seja o da madrugada, ou o da tarde no campo, me perco em pensamentos e me reencontro nas melodias mais equivocadas possíveis. Meu mundo, meus pensamentos, minhas memórias. Entre, sente-se e sinta a vibe de paz no ar, feche os olhos para enxergar as cores como elas realmente são, abra a cabeça, estique os braços e ainda de olhos fechados respire. Sinta, a música já não é mais a mesma, as notas agora tem formas, elas vem em formas de lembranças, e é só aqui, no interior do meu mundo..Agora vá, seu tempo acabou e outros querem entrar ...