Os dias passam, as noites se prolongam, as pessoas mudam, o conhecimento se expande e enquanto os outros enxergam somente o natural nisso e no restante das coisas, eu vejo o que há por trás, o que talvez tentam esconder, o lado nem sempre rosa do mundo, tudo isso feito em xícaras acompanhado de uma pitada de metáforas e está pronto nosso chá de desatenção, de desafeto. Sirva-se.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Ele a via, pequenina, quando tampar garrafas pet, para ela, ainda era um grande desafio.
Ele via nela o que ninguém mais via, mas era algo que ele não podia explicar e muito menos entender.
Ele estava presente no 1º e nos outros aniversários, e também no 1º dia de escola.
Ele estava por perto quando o 1º dente caiu.
Ele fazia piada dos medos, não para que ela se sentisse mal, mas para que os medos desaparecessem.
Ele brincou de faroeste com ela, ele a ensinou a conseguir o que queria.
Ele a tirou dos castigos, eles se esconderam da mãe no armário.
Ele sorriu junto dela e para ela.
Ele chorou junto dela e por ela.
Para as pequenas dificuldades ele era a solução, nas grandes escolhas e decisões ele estava lá, para dar força e confiança.
Ele fazia da sala uma grande floresta imaginária e mostrou que a imaginação era a maior arma que um ser humano pode ter.
Ele a xingava e pedia perdão. Errava e assumia, mas também corrigia os erros dela.
Ele a ensinou a contar dinheiro.
Ele exagerou nas histórias contadas.
Ele se fantasiou para ela.
Ele a ensinou o truque da moeda.
Ele a amou e a ensinou a amar.
E até chegou a pensar que já tinha ensinado tudo, mas se esqueceu de ensinar a se despedir, talvez porque ele não sabia como fazer isso. E sem a ensinar a se despedir se foi, deixando histórias, aventuras e muita saudade.
Ele foi para um lugar distante, um lugar que quando você entra, não consegue voltar, e ela ainda não o achou, não conseguiu chegar ao lugar, não por enquanto.
Mas em lembranças, em boas lembranças, ele continua dentro dela, e está sempre presente, seja numa lágrima que rola ou num sorriso que se abre. E ela nunca o deixará sumir, porque tudo o que ela tem e sabe, deve a ele, só a ele.
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